Estratégia e conselhos de jogo para os torneios de poker



A estratégia básica em um torneio não difere muito do que já sabemos. É uma boa idéia ser paciente, e esperar que cheguem situações favoráveis. Em um torneio, além das nossas cartas, nossos rivais e a posição, é muito importante levar em conta o momento em que estamos na competição. Já sabemos que, em um torneio, a pressão dos blinds e dos antes é importante, já que estes vão aumentando com o tempo. Nosso jogo deve, então, adaptar-se a todo momento à situação do torneio e à quantidade de fichas que temos, em comparação à quantidade média de fichas que possuem os jogadores.

Vamos, agora, tratar de dois temas importantes para enfrentar um torneio com mais segurança:
a) Estratégia básica;
b) Conceito “M” e as “Quatro Zonas”.

a) Estratégia básica: como sempre, convém ser mais conservador, confiando mais em uma boa seleção de mãos. Os pares médios e baixos podem ser jogados, mas sempre tendo em conta a nossa situação com respeito à média de fichas. Não é aconselhável arriscar mais de 10% do nosso stack quando tivermos algum desses pares na mão. As últimas posições são as melhores para jogar qualquer tipo de mão, seja uma mão com mero potencial ou uma muito forte. É recomendável entrar sempre nos potes fazendo “raise”, e reduzir a um mínimo os “calls”.
b) Conceito “M” e as “Quatro Zonas”: como já dissemos, os blinds sobem rapidamente a cada nível nos torneios. Isso faz com que não seja a mesma coisa jogarmos nossas fichas no Nível 1 e no Nível 15. Devemos ter uma estratégia concreta para cada momento, e o melhor será aplicar um conceito matemático (o conceito M), aplicando-o nos diferentes momentos do torneio (zonas).

  • Conceito M: Definiremos como “M” o número que especifica quantas rodadas poderiam passar antes que fiquemos sem fichas. É calculado assim: M = quantidade de fichas / dinheiro no pote

O dinheiro do pote é estimado através do cálculo dos blinds mais a quantidade de participantes, multiplicada pelos pingos.
Por exemplo, se, em uma mesa de 9 jogadores, estamos com blinds 500/1.000 e pingos de 100, o dinheiro que há no pote em cada mão será a soma dos dois blinds (1.500) mais o número de jogadores multiplicado pelo pingo (900). Nesse caso, o dinheiro que há no pote será 2.400.
O “M” é calculado dividindo nosso stack (10.000) pelo dinheiro que há no pote (2.400). Neste exemplo, o “M” será 4,1, o que quer dizer que em apenas 4 mãos nosso stack será zerado.

  • As Quatro Zonas: sobretudo nas nossas decisões preflop, devemos prestar atenção às quatro possíveis zonas em que podemos estar, de acordo com o nosso "M".

- Zona Verde: Quando “M” for superior a 20, e estivermos nos primeiros lugares do torneio. Podemos optar por jogar mais mãos ou menos. É o momento de acumular fichas, roubando blinds impunemente.
- Zona Amarela: “M” entre 10 e 20; convém sermos agressivos, embora tenhamos muitas fichas. Quanto mais nos aproximarmos do 10, menos requisitos teremos para tentar ficar com o pote.
- Zona Laranja: M entre 6 e 10. Devemos ser ainda mais agressivos.
- Zona Vermelha: M entre 1 e 5. A única possibilidade é fazer "all-in", já que a pressão dos blinds é enorme, e nós temos pouca margem de manobra.

Nessas situações, o melhor é pensar em qual o objetivo que perseguimos permanecendo no torneio, pois, se o que queremos é o prêmio, isso nos fará diminuir a importância do M, pois já estaremos perto dele. Todavia, se o que desejamos é chegar o mais longe possível, aspirando a algo mais do que meramente ingressar no ranking de prêmios, então o M se torna um número importante.

Às vezes, não importam tanto as próprias cartas ou situações quanto ninguém ter posto fichas no pote. Isso porque, se alguém o tiver feito, teremos que aguardar a mão seguinte, caso não tenhamos uma boa jogada. Por outro lado, se ninguém pôs nada no pote, poderemos fazer all-in mesmo que tenhamos mãos fracas, se nosso M for 4 ou menor (pois em 4 rodadas já não teremos fichas). Isso significa que, para sobreviver, em determinado momento teremos que nos arriscar com mãos fracas.

Quando nos deparamos com o all-in de um adversário, devemos avaliar as circunstâncias: analisar nosso próprio índice M, bem com o do rival; verificar se ele é agressivo ou passivo, etc. Se dispusermos de muitas fichas, poderíamos fazer call com jogadas de 50/50 e tratar de eliminar concorrentes, o que permitiria acumular novas fichas. Se não dispusermos de fichas suficientes, as coisas se complicam; se nossa pilha de fichas for pequena, o melhor é fazer call e ver o que acontece.

Entretanto, se - havendo raise e re-raise antes que lhes chegue a vez - dois jogadores fazem all-in, eles, muito provavelmente, terão A-A, K-K ou A-K, fazendo com que, novamente, não seja tão importante nosso “M”.



Exercício


Modo: Cash
Tempo: 30-60 minutos
Jogo: Texas Hold’em
Nivel: Intermediário


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Caso necesite repassar algum conceito, não se esqueça de consultar a seção de artígos básicos.

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