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Estratégias: Texas hold’em
No poker, podemos encontrar uma série de estratégias bastante eficientes, sobretudo nas mesas “low limit”, como a “free card”. Essa é uma estratégia bem simples, que consiste em apostar no flop (ou fazer “raise”) - se tivermos posição – com a intenção de passar no turn e ver a carta desta rodada "grátis" (na verdade, não é uma carta grátis, visto que já havíamos pago uma aposta a mais no flop. Mesmo assim, isso nos sai mais barato do que de outra forma).
Podemos utilizar a carta grátis em qualquer situação na qual seja do nosso interesse ver a carta do "turn" - ou mesmo a do "river" - gratuitamente, na medida em que teremos poucas chances de ganhar sem melhorar nossa mão. Esta é a condição de todo tipo de "drawing hands" (projetos). Usaremos este tipo de estratégia quando nossos oponentes não forem muito agressivos e, pelo contrário, quando eles tiverem uma maior agressividade, é recomendável que tentemos fazê-la com “draws” de maior qualidade, já que o risco de nos sairmos mal é muito maior.
Da mesma forma, é recomendável que não usemos freqüentemente a estratégia da “free card”, pois, se passamos no turn, isso incentiva um blefe no river por parte de nossos rivais, caso percebam nossa jogada. Isso pode ocorrer se nosso oponente for hábil, e, vendo que fizemos “check” no turn, se motivar a apostar com seu draw (projeto) incompleto. Assim, poderá vencer-nos, já que nós também não teremos completado o nosso.
Essa estratégia é comum nas partidas de Limit, visto que a aposta que faremos no flop para conseguir a carta grátis será exatamente a metade da aposta que teríamos que pagar no turn. Lembremo-nos que, em uma partida $2/$4 Limit, nas rodadas preflop e flop apostaríamos $2, enquanto que, no turn e no river, as apostas seriam de $4.
Não devemos confundir essa estratégia com “dar uma carta grátis”, que é passar em uma determinada quando nossa jogada for muito forte, esperando que nosso rival complete uma jogada inferior.

O que é um semiblefe?
É aquela aposta com a qual, ainda que não tenhamos uma boa mão e outros jogadores possam tê-las - temos a possibilidade de ganhar com as cartas que ainda estão por sair. Uma vantagem dos semiblefes é ter a possibilidade de ganhar de duas maneiras: uma delas é imediatamente, se conseguimos que nosso adversário desista; outra é se formamos uma boa jogada com a carta seguinte (a quarta ou a quinta). Os blefes não são tão comuns nem têm as vantagens de um semiblefe, já que, com aqueles, só se pode ganhar de um jeito.

Para deixar bem claro o tema dos semiblefes, apresentamos abaixo um quadro com três exemplos básicos, para serem utilizados como guia.
Ex.1 – Estamos no blind, com um 6 de ouros e um 7 de paus. Outros dois jogadores entram no pote: um do meio da mesa e outro nas últimas posições. O flop traz um K de paus, um 5 de ouros e um 4 de copas. Este pode ser um excelente momento para realizar um semiblefe, e tentar levar o pote imediatamente. Se igualarem ou subirem a aposta, ainda teremos chance de fazer uma seqüência aberta - com 8 outs.
Ex.2 - Pagamos uma aposta – ocupando uma das primeiras posições -, tendo Ás de ouros e 10 de ouros. Três jogadores estão em condições de ver o flop, a saber: nós, o carteador e o que pagou o blind. As cartas comunitárias são: Q de paus, 10 de copas e 4 de espadas. O que pagou o blind passa. Nessas circunstâncias, será tempo de outro semiblefe. O melhor é que ganhemos o pote neste momento, mas, se pagarem nossa aposta, não devemos nos preocupar, já que ainda podemos melhorar nossa mão com 5 outs. Aliás, mesmo se não melhorarmos nossa mão, ainda poderíamos ter a melhor mão da mesa, caso os adversários tenham igualado a aposta esperando conseguir um straight flush, por exemplo.
Ex.3 – Temos um Ás de espadas e um 3 de espadas, na posição de blind. Três jogadores podem ver o flop, que é Q de copas, 3 de paus e 2 de espadas. Esta é outra circunstância na qual apostar de cara com um semiblefe seria o mais apropriado. Temos a oportunidade de conseguir um segundo par, além da possibilidade de completar um flush, como segunda opção. Assim, poderíamos formar dois jogos distintos, em vez de apenas um.
O SEMIBLEFE NO FLOP
Não importa que cartas tenhamos em uma determinada mão se o flop for baixo (quando a carta mais alta for um 7 ou menor). Suponhamos que estamos em um dos blinds e, logicamente, ainda não aumentou-se a aposta. O mais recomendável é apostar, sobretudo se a mesa contar com poucos participantes (“Semiblefe com Flop Baixo”). Não formamos nenhum jogo, mas ainda faltam duas cartas...
A principal razão é que os jogadores que virão depois de nós quase nunca terão cartas tão fracas quanto as nossas. É por isso que devemos fingir que as temos, já que nossa posição (blind) nos ajuda a que pensem que podemos ter qualquer carta baixa.
Ao fazermos a aposta, podemos nos aproveitar dessa forma de pensar. Além disso, se insistirmos em nossa forma de jogar até a distribuição da quinta carta comunitária, devemos nos certificar que se cumpram as seguintes condições:
1. Estamos na posição do big ou small blind, e o big blind já não está no jogo quando apostamos no flop. Se tivermos o small blind e o big blind igualar nossa aposta, devemos ter cuidado, pois pode ser que ele tenha cartas fortes, tendo sido ajudado também por esse flop baixo. Então, não seria conveniente apostar, a não ser que tenhamos uma mão com “top pair”, ou algo melhor.
2. Outra condição é que ninguém suba a aposta. Se alguém o fizer e nós não tivermos nada, é recomendável que desistamos. O semiblefe não terá sido bem-sucedido, e não convém desperdiçar dinheiro não tendo uma boa mão.
3. Que não saiam cartas fortes (de J para cima), nem uma carta que permita a um de nossos oponentes formar um flush ou seqüência com uma das cartas de sua mão.
Essa estratégia resulta em êxito sempre que não saem cartas perigosas no flop. Recomendamos tentar isso se tivermos ocasião para tal – especialmente se estivermos no big blind, e no caso de o small blind já não participar da mão.

Podemos dizer que o blefe é umas das estratégias mais usuais do poker. Sua popularidade se deve, principalmente, ao fato de ser um recurso muito útil para aumentar a rentabilidade de uma partida. Devemos, no entanto, limitar ao máximo os nossos blefes, já que, se tivermos uma imagem de jogador que abusa dessa jogada, o resultado será que sempre pagarão nossas apostas.
“Blefar” - como se diz no jargão do jogo - significa apostar quando não se tem boas cartas - nem mesmo a possibilidade de melhorar a mão. Um exemplo: temos um projeto de Flush, mas não conseguimos formá-lo nem com a quarta nem com a quinta carta. Na última rodada, realizamos uma aposta grande, forçando, assim, o nosso adversário a desistir – a não ser que sua mão seja realmente forte.
Geralmente, é correto blefar quando a soma no pote - comparada com a probabilidade de que o oponente desista - é suficientemente grande para fazer a jogada rentável no longo prazo. Por exemplo: se houver $10 no pote e a aposta for de $2, a probabilidade para fazer o blefe é de 5 para 1. Se acreditarmos que o oponente desistirá com uma probabilidade superior a 1 em 6, o blefe será muito rentável. Em situações específicas, também será adequado blefar, mesmo que as chances não estejam do nosso lado. A experiência acumulada e a habilidade que formos desenvolvendo nos ajudarão a identificá-las rapidamente.
É por isso que nossa imagem é tão importante – não devemos jamais mostrar nossos blefes. O importante é que o nosso rival – em um grande número de vezes – se retire, e isso não irá acontecer se nossa imagem for a de um jogador que blefa.
Antes de blefarmos, devemos considerar os seguintes fatores:
Número de participantes: Quanto menos, melhor. Um ou dois oponentes constituiriam a situação ideal; com mais de três, os blefes dificilmente funcionam.
Tipo de oponentes: Os jogadores fracos são tentados pela curiosidade; são capazes de fazer “call” com qualquer coisa. Há mais chances de um blefe ser bem-sucedido contra um bom jogador, porque este é capaz de desistir em uma jogada pouco regular.
Soma do pote: quanto mais dinheiro houver no pote, mais perigoso será fazer um blefe. Isso porque as possibilidades serão melhores para nossos oponentes, que poderão pagar a aposta mesmo com jogadas medianas, pois o pote lhes oferece probabilidades suficientes para tornar o seu "call" rentável.
Nossa imagem como jogador: Se o nosso perfil for o de um jogador constante e sólido, teremos mais chances de triunfo quando tentarmos blefar.
Desenvolvimento das jogadas: Se observarmos com atenção as seqüências de apostas, poderemos identificar o momento exato para tentar o blefe.
Nossa posição na mesa: A última posição costuma ser a mais indicada para tentar o blefe. Todavia, isso é algo evidente, e muitos jogadores levam isso em conta na hora de detectar essa jogada.
O tipo de flop: Alguns flops são mais propícios que outros para se tentar um blefe. Se houver cartas altas sobre a mesa, é muito mais provável que algum oponente tenha jogo. Pelo contrário, se houver somente uma carta alta – ou nenhuma -, isso é menos provável.
Em limites baixos, é melhor abster-se de usar o blefe como recurso. As partidas irregulares e as reações dos jogadores menos estáveis também podem ser obstáculos insuperáveis para a efetividade do blefe. Nesses casos, só será proveitoso blefar se tivermos a melhor jogada, uma vez revelada a última carta comunitária. Não convém arriscar se a jogada não for forte.
A situação muda se os limites de uma mão forem altos, e também se na mesa houver mais jogadores fortes. Nesse sentido, o blefe será uma das armas fundamentais para não nos tornarmos jogadores previsíveis. O blefe é uma estratégia psicológica, que também leva em conta a quantidade de fichas ou o dinheiro em jogo.

Nesta altura do jogo, descobriremos que estudar os oponentes e ter deles uma imagem bem definida é tão importante quanto reconhecer o valor da nossa jogada ou saber as probabilidades que temos de ganhar a mão.

No Hold'em No-Limit Poker, as coisas podem ser um pouco mais fáceis de entender se levarmos em conta que, no flop – ou no turn -, normalmente, a maioria das fichas que tiverem que ser apostadas já o terão sido. Nesta modalidade de poker, o turn (quarta carta comunitária) ajudará a completar uma mão ou a deixará totalmente inútil.
Assim, o river (quando se revela a quinta carta comunitária) é, muitas vezes, irrelevante. Seja como for, precisamos estar em uma boa posição, e ter ao menos uma chance de ganhar maior que 25% para chegarmos com segurança nessa fase do jogo. Não há dúvidas de que as modalidades com Limite têm muito mais nuances e detalhes no turn e no river.
Depois de revelada a última carta pelo dealer, não podemos mais melhorar nosso jogo. Se não estávamos tentando completar um projeto, a estratégia a se seguir no river é uma continuação do que fizemos no turn. Ainda assim, é muito importante minimizar perdas, se nossa jogada não for forte: para pagar uma aposta depois do river, devemos ter uma jogada boa o suficiente. Outro recurso possível é subir a aposta, para blefar.
Antes de escolhermos apostar, devemos tentar procurar a fundo todas as possíveis seqüências, flushes etc. da mesa. Não é recomendável apostar no river se houver uma possível seqüência ou flush, já que, desta forma, estaríamos favorecendo o jogo de outro. Temos que estar muito atentos para apostar nos casos favoráveis, sem cair na tentação de fazê-lo nas mãos não-favoráveis. Para isso, devemos sempre realizar apostas por valor (value bet) quando estivermos convencidos de que vamos levar a mão e de que o rival nos pode pagar a aposta, se a quantia for aceitável.
Da mesma forma, devemos pagar uma aposta no river – na maioria dos casos – somente se tivermos uma mão suficientemente sólida. Seria um terrível erro apostar se estivéssemos disputando contra um dos oponentes no river com mãos medíocres, como pares sem kicker. A maior parte das nossas apostas deve ser feita antes do flop, durante o flop ou – não sendo possível isso – no turn. Devemos pagar apostas na penúltima mão somente se tivermos uma jogada forte, pois, de outro modo, correríamos um risco grande demais.
Assim, o conhecimento que tivermos sobre nossos rivais, bem como a quantia apostada, nos permitirá detectar possíveis blefes, com os quais poderemos lidar adequadamente.
Da mesma forma, devemos ser prudentes, e somente apostar ou subir a aposta se estivermos convencidos de que temos a melhor mão. Em qualquer outro caso, a melhor opção é passar (check), esperando que os outros jogadores apostem. Uma vez que tenham feito isso, poderemos avaliar se é conveniente ou não pagar essa aposta.

O mais comum é não ter formado ainda nossa jogada no flop. Normalmente, precisamos do turn ou do river para completar nossa mão. Dessa forma - especialmente se tivermos uma boa posição -, poderemos enfrentar o turn seguindo várias estratégias.

Apostar no Turn
Jogando com a posição, passar no turn tendo um projeto ou uma segunda melhor mão é a estratégia mais utilizada, pois, cada vez que apostamos, estamos abrindo o pote, o que dá a oportunidade dos jogadores aumentarem a aposta. Assim, devemos nos assegurar que veremos as 5 cartas comunitárias da forma mais econômica possível; estaremos manipulando o pote a nosso bel-prazer, com o objetivo de mantê-lo com uma soma pequena. Dessa forma, se quisermos ser prudentes, a melhor estratégia será esperar pelo river.
No entanto, se tivermos feito uma jogada – ou se quisermos levar o pote sem haver conseguido uma – devemos utilizar algum dos seguintes recursos:
a) O check-raise: consiste em passar (check) mesmo tendo uma boa jogada, e esperar que algum rival aposte, para que possamos fazer raise. A melhor situação para fazê-lo é quando tivermos completado nosso projeto no turn, e soubermos que é provável que alguém aposte depois de nós – seja porque tenha mostrado força no flop, seja porque conseguiu completar outro projeto, inferior ao nosso.
b) O slow play: não tem muito sentido, já que esconder nossa jogada somente nos permitirá ganhar as apostas feitas no river. Ainda assim, podemos passar – mesmo tendo uma jogada muito forte -, esperando que algum jogador aposte e vários paguem. Assim, nós pagaríamos também e, no river, apostaríamos uma quantia moderada.
c) O semiblefe: se ainda não tivermos jogada, e precisarmos da ajuda do river, poderemos tentar ficar com o pote no turn, simulando ter conseguido formar uma boa mão. No caso de algum jogador nos seguir, poderemos tentar completar o blefe no river, caso não consigamos formar nossa jogada.
d) O blefe: quando restarem poucos jogadores na mão e o pote não for muito grande, poderemos tentar blefar no turn. Para isso, é necessário que as cartas do flop – e o próprio turn – sejam favoráveis, mostrando um perigo evidente para os rivais que tiverem mostrado força. Só devemos blefar contra jogadores estáveis e controlados.
Fatores a se levar em conta na hora de resolver o que fazer com o nosso jogo
- Se alguém aposta sem cartas fortes ou não aposta o suficiente no preflop, diminui a credibilidade da sua mão.
- Contra somente um rival, costuma-se fazer quase sempre uma aposta de continuação. É uma jogada com um positivo valor esperado.
- Ninguém continua apostando no turn sem uma mão feita. Aquele que aposta no turn conseguiu alguma coisa.
- Ninguém deixa de apostar no turn com uma mão feita: varia o jogo ou utiliza um check-raise.
- Passar no turn depois de uma continuation bet é sinal de fraqueza do nosso jogo, da mesma forma que apostar mostra força da nossa parte. Uma segunda aposta de continuação é um recurso que depende diretamente da imagem que os adversários têm de nós.
Conseqüentemente, é melhor não fazer apostas no turn até que tenhamos uma idéia clara do que fazer no flop. Além disso, é também melhor fazer apostas quando a nossa imagem perante os demais jogadores – que devem temer nossas estratégias - permitir que façamos essas jogadas.

A seguir, descreveremos estratégias para diferentes situações no flop. Em alguns casos, é necessária uma estratégia agressiva. Em outros, uma mais passiva (slowplay); tudo depende da imagem que tivermos na mesa.
Duas cartas altas (overcards):
- Quando não conseguirmos nada no flop, mas tivermos duas cartas mais altas do que as que se mostram no flop, há duas opções: Pagar – se tivermos outras possibilidades de melhorar nosso jogo (3 para 1 com um bom draw) – ou então desistir.
Se – por termos uma mão do tipo A-K – tivermos demonstrado força com um raise preflop, poderemos tentar fazer uma aposta de continuação (continuation bet), para ver se nossos rivais têm um par alto. Se eles pagarem essa aposta, devemos praticamente renunciar a essa mão no turn e no river.
Um par:
- Quando formarmos, no flop, o par mais alto - com um kicker também alto -, podemos subir para eliminar as possíveis mãos que podem vir a sair. Agora, como nossa jogada é somente um par alto, poderia facilmente se converter em uma mão ruim ou medíocre no turn e no river.
- Quando formarmos, no flop, o par mais alto - com um kicker mediano -, temos de desistir se houver uma aposta – a não ser que haja muitos jogadores pagando e nenhum raise. Devemos ser muito cautelosos em nossa seleção de mãos preflop para evitar este tipo de problemas com o kicker.
- Quando formarmos no flop o segundo par mais alto da mesa – ou o pior par –, devemos desistir se houver uma aposta, a não ser que haja muitos jogadores pagando e nós tenhamos como kicker uma carta mais alta que as do flop.
- Quando tivermos um par na mão, devemos aumentar a aposta se se tratar do par mais alto ou próximo da carta mais alta mostrada no flop. Por outro lado, devemos desistir se se tratar do segundo ou do mais baixo par de toda a mesa, já que o mais provável é que necessitemos de uma trinca para ganhar e, no turn e no river, as chances disso acontecer são poucas.
Duplo par:
- Quando formarmos, no flop, o duplo par mais alto – usando ambas as cartas de nossa mão -, o melhor a fazer é subir, para eliminar as possíveis mãos que poderiam derrotar-nos – e também aumentar a quantidade de dinheiro no pote.
- Quando formarmos, no flop, o segundo par da mesa ou o pior duplo par – com cartas de nossa mão – devemos subir, para eliminar as possíveis mãos que poderiam nos derrotar, além de aumentar a quantia no pote, como na situação anterior. Porém, ainda temos de ficar atentos a reraises (novas subidas), já que não temos o duplo par mais alto.
- Quando conseguirmos, no flop, dois pares - um par na mesa e um par com a carta que falta da nossa mão -, devemos fazer call. Da mesma forma, de novo teremos que ficar atentos a novos raises, já que não temos o duplo par mais alto.
- Quando formarmos, no flop, um duplo par – um na mão e outro na mesa -, devemos apostar se tivermos um par com cartas mais altas que o resto das cartas comunitárias mostradas. Por outro lado, devemos desistir se tivermos um par com cartas mais baixas que o resto.
Trinca (Set, Trips)
- Quando conseguimos, no flop, uma trinca - com um par em mãos (set) mais uma carta da mesa -, o melhor é subir, com o objetivo de eliminar desde já mãos que poderiam vir a nos vencer. Além disso, aumentamos o dinheiro depositado no pote.
Há que se prestar atenção especial aos flops que tragam a possibilidade de straights ou flushes no turn ou no river, e também aos que mostrem possíveis straights ou flushes já no flop (3 cartas do mesmo naipe ou consecutivas).
- Quando formamos uma trinca com um par da mesa e uma carta de mão (trips), recomenda-se subir, com o objetivo de eliminar desde já mãos que poderiam vir a nos vencer. Além disso, aumenta-se o dinheiro depositado no pote. Neste caso, devemos prestar atenção especial à qualidade do nosso kicker.
Projetos com quatro cartas para Seqüência ou Flush
- Quando combinarmos as duas cartas de nossa mão com 2 cartas para tentar uma seqüência ou flush, devemos subir se tivermos a possibilidade de conseguir as "nuts" (a melhor jogada possível) com as próximas cartas. Isso somente se pensarmos que os adversários pagarão nossa aposta.
Do contrário – ou se a nossa possibilidade for de conseguir um jogo menor que as "nuts" – devemos fazer call.
- Quando combinarmos 3 cartas da mesa com 1 de nossa mão para tentar fazer seqüência/flush, o melhor será subir, caso tenhamos chances de conseguir as "nuts" nas próximas cartas, visto que alguém poder ter já formado o seu jogo. Assim, jogaremos com muita precaução, pois, se tivermos a fraca possibilidade de conseguir um jogo menor que a "nut", ou se pensarmos que alguém já conseguiu o seu jogo, devemos pagar - ou mesmo desistir.
Mão Completa
- Quando já no flop completarmos um full hand, recomenda-se jogar lento (slowplay), a não ser que pensemos que ser possível a derrota, por termos o valor mais baixo dos possíveis fulls. Nesse último caso, o melhor seria subir.
- Quando já no flop completarmos um straight, recomenda-se subir, para eliminar mãos melhores de nossos adversários (e para aumentar o pote), já que a maioria dos jogadores não acreditará que temos um straight.
Por outro lado, faremos um jogo lento e passaremos (“slowplay” e “check”) se tivermos o melhor straight e não houver a possibilidade de um flush.
- Quando, no flop, completarmos um flush ou um four, faremos slowplay também - passando -, para deixar que os outros jogadores consigam alguma mão, e pensem que têm o controle da situação. Isso sempre que tivermos o melhor flush ("nut flush") ou um four.

Abaixo, apresentamos uma série de tabelas que vão nos ajudar a jogar nossas mãos iniciais observando vários critérios: nossa posição, se somos os primeiros a falar ou se entraram vários jogadores sem subir (limpers) ou algum jogador que subiu a aposta (raiser).
Este tipo de tabela é comum nos livros de estratégia que existem. As tabelas abaixo foram extraídas do livro "Mastering No Limit Hold´em", de Rusell Fox y Scott t. Hacker.
Primeiras
Posições | Subir | Subir/Ver | Subir/Retirarse | Subir/Ver/Retirarse | Ver | Ver/Retirarse | Ocasionalmente | First in | AA-TT,AK,AQs | | | | AQo | 99-22 | AJs | 1 limper | AA,KK | QQ-99,AK | | AQs | | 88-22 | | 1 raiser | AA,KK | AK | | QQ-TT | | | |
Nesta primeira tabela se nos indica – por exemplo – que devemos subir (raise) com A-A e com K-K, tanto se formos os primeiros a falar (First in) como se houver 1 limper ou 1 raiser. Todavia, faremos call com A-Q e com pares de 9-9 a 2-2 (podemos inclusive desistir, nesses casos).
Posições Intermedárias |
Subir | Subir/Ver | Subir/Retirarse | Subir/Ver/Retirarse | Ver | Ver/Retirarse | Ocasionalmente | First in | AA-88,AK-AQ | | | | AQo | 77-22 | AJs | 1 limper | AA-KK | QQ-99,AK | | | | 88-22 | KQs,AJ | Multiple limpers | AA-TT,AK-AQ | 99-22 | | | | | KQs | 1 raiser | AA-KK | AK | | QQ-TT | | | 99-77 | 1raiser & 1 caller | AA-KK | | | QQ-JJ,AK | | TT-55 | | 1 limper & 1 raiser | AA-KK | | | QQ-TT,AK-AQ | | 99-55 | | 1 raiser& 1 reraiser | AA | | KK | QQ | | | |
Últimas Posições |
Subir |
Subir/Ver |
Subir/Retirarse |
Subir/Ver/Retirarse |
Ver |
Ver/Retirarse |
A veces |
First in |
AA-22,AK-A9
KQ-KT,QJ-QT |
|
JTs-32s |
|
|
|
A8-A2 |
1 limper |
AA-QQ,AK |
|
JJ-22,AQ-AT,
T9s-32s |
KQ-KT,QJ-QT,JT |
|
|
|
Multiple limpers |
AA-QQ,AK-AQ |
JJ-99 |
AJ-AT |
KQs-KTs,QJs,
QTs,JTs,98s-65s |
88-22 |
|
|
1 raiser |
AA-KK |
AK |
AQ |
QQ-55 |
|
|
|
1raiser &
1 caller |
AA-KK |
|
|
QQ-TT,AK |
|
99-55,
AQs-AJs |
|
1 limper &
1 raiser |
AA-KK |
|
|
QQ-55,AK-AQ,AJs |
|
|
|
1 raiser &
1 re-raiser |
AA-KK |
|
|
QQ-JJ |
|
|
|
Small Blind |
Subir | Subir/Ver | Subir/Retirarse | Subir/Ver/Retirarse | Ver | A veces | First in | AA-77,AK-A9, KQ-KT-QJ-QT | 66-22,A8-A2, KQ-K9,QJ-Q9,JT-J9 | | Manos 1 o 2 niveles de diferencia | Otros conectores | | 1 limper | AA-QQ,AK-AQ | | JJ-22 | KQ-KT,QJ-QT,JT | AJ-AT,KQ-KJ, T9s-32s | | Multiple limpers | AA-QQ,AK | JJ-22,AQ | | KQs-KTs,QJs, QTs,JTs |
88-22,AJ-AT,
98s-32s,
KQo-76o,
KJo-J9o |
| 1 raiser | AA-KK | AK | | QQ-TT | | 99-77 | 1raiser & 1 caller | AA-KK | AK | | | QQ-JJ | | 1 limper & 1 raiser | AA-KK | AK | | | QQ-JJ | | 1 raiser & 1 re-raiser | AA | | | KK-QQ | | |
Big Blind |
Subir | Subir/Ver | Subir/Ver/Retirarse | Ver | A veces | 1 limper | AA-99,AK-AQ,AJs | | | todas las demás | | Multiple limpers | AA-QQ,AK | | | todas las demás | | 1 raiser | AA-KK | AK | QQ-TT | | 99-77 | 1raiser & 1 caller | AA-KK | AK | QQ-JJ | | | 1 limper & 1 raiser | AA-KK | AK | | QQ-JJ | TT | 1 raiser & 1 re-raiser | AA | | KK-QQ | | |
Nas quatro tabelas seguintes, continua-se recomendando cautela; podemos ver que somente com A-A e K-K é que podemos jogar sem nos preocupar com a posição ou com o número de jogadores que disputam a mão. É curioso observar como mesmo com Q-Q – e sobretudo com A-K – estaremos obrigados em alguma ocasião a jogar fazendo call.
No entanto, acima de tudo, temos que ser conscientes da fraqueza dos pares pequenos e médios, assim como das mãos freqüentemente supervalorizadas, como A-Q.

A tabela abaixo serve para consolidar o que ilustramos na Tabla Preflop 1, levando em consideração também o número de rivais e sua posição. O importante é saber a probabilidade de um jogador ter um par superior ao nosso par de mão...
Probabilidade de outro jogador ter um par superior ao nosso
|
vs 1 |
vs 2 |
vs 3 |
vs 4 |
vs 5 |
vs 6 |
vs 7 |
vs 8 |
vs 9 |
Com 2-2 |
5,43 |
10,86 |
16,29 |
21,72 |
27,15 |
32,58 |
38,01 |
43,44 |
48,87 |
Com 3-3 |
4,98 |
9,95 |
14,93 |
19,91 |
24,89 |
29,86 |
34,84 |
39,82 |
44,80 |
Com 4-4 |
4,52 |
9,05 |
13,57 |
18,10 |
22,62 |
27,15 |
31,67 |
36,20 |
40,72 |
Com 5-5 |
4,07 |
8,14 |
12,22 |
16,29 |
20,36 |
24,43 |
28,51 |
32,58 |
36,65 |
Com 6-6 |
3,62 |
7,24 |
10,86 |
14,48 |
18,10 |
21,72 |
25,34 |
28,96 |
32,58 |
Com 7-7 |
3,17 |
6,33 |
9,50 |
12,67 |
15,84 |
19,00 |
22,17 |
25,34 |
28,51 |
Com 8-8 |
2,71 |
5,43 |
8,14 |
10,86 |
13,57 |
16,29 |
19,00 |
21,72 |
24,43 |
Com 9-9 |
2,26 |
4,52 |
6,79 |
9,05 |
11,31 |
13,57 |
15,84 |
18,10 |
20,36 |
Com 10-10 |
1,81 |
3,62 |
5,43 |
7,24 |
9,05 |
10,86 |
12,67 |
14,48 |
16,29 |
Com J-J |
1,36 |
2,71 |
4,07 |
5,43 |
6,79 |
8,14 |
9,50 |
10,86 |
12,22 |
Com Q-Q |
0,90 |
1,81 |
2,71 |
3,62 |
4,52 |
5,43 |
6,33 |
7,24 |
8,14 |
Com K-K |
0,45 |
0,90 |
1,36 |
1,81 |
2,26 |
2,71 |
3,17 |
3,62 |
4,07 |
Exemplo: Se nossa posição for a quinta, tivermos J-J e na mesa houver 4 jogadores, haverá 5,43% de chance de que pelo menos um deles tenha um par superior: A-A, Q-Q ou K-K.
Para nos ajudar em decisões concretas, sobretudo nos casos de “all-in” preflop, criamos essa calculadora que nos indica as probabilidades de ganhar a mão preflop contra qualquer par aleatória de cartas que tenha nosso rival...

Visto os pares no pré-flop serem mãos perigosas no Texas Hold'em No Limit Poker, criamos esta tabela que nos mostra a probabilidade de recebermos um par em uma determinada mão. Isso nos deve fazer refletir e ter consciência de que a maioria das derrotas em um all-in preflop acontecerão porque nos encontraremos com rivais que também terão pares – e superiores ao nosso.
Logo, nessa tabela se analisam as probabilidades de que o crupiê nos entregue um par na nossa mão:
| Pares |
AA |
AA-KK |
AA-QQ |
AA-JJ |
AA-TT |
AA-99 |
AA-88 |
AA-77 |
AA-66 |
AA-55 |
AA-44 |
AA-33 |
AA-22 |
| % |
0,45 |
0,90 |
1,36 |
1,81 |
2,26 |
2,71 |
3,17 |
3,62 |
4,07 |
4,52 |
4,98 |
5,43 |
5,88 |
Tomemos um exemplo: receberemos um par A-A, J-J, Q-Q ou K-K em 1,81% das vezes, ou qualquer par em 5,88% das partidas jogadas.
Visto que os pares são fortes no preflop dos heads-up, em certas situações podemos admitir ou justificar algumas subidas grandes ou apostas all-in; mas devemos ser prudentes, já que, se tivermos um par baixo (4-4), haverá 4,52% de chances de que alguém tenha um par superior. (AA-55)

Uma das coisas mais positivas que um jogador de poker pode fazer para melhorar em sua carreira é melhorar seu jogo antes do flop. A importância de um bom jogo pre-flop é ainda maior na modalidade No Limit, já que, em muitas ocasiões, se perde o embate estratégico que caracteriza as modalidades de Limit nas rodadas do turn e do river.
A estratégia que utilizaremos na primeira rodada de apostas (preflop) deverá ser desenvolvida observando-se cinco variáveis: nossas cartas, os jogadores que estão na mão, a ação anterior, nossas fichas (stack) e nossa posição.
a) Nossas Cartas:
Para ganhar no poker é necessário jogar com boas cartas. Os melhores jogadores do mundo costumam ser muito sólidos, constantes, dedicando-se a administrar a pequena vantagem que obtêm no longo prazo, pois jogam sempre com melhores cartas que os demais. Devemos ter disciplina, e não ter medo de desistir com mãos problemáticas.
Devemos jogar somente com combinações de cartas potencialmente ganhadoras. Assim, uma mão como K-J dificilmente nos fará ganhar um grande pote, enquanto que os pares medianos, como 7-7, 8-8 ou 9-9, podem tornar-se muito rentáveis se formamos a trinca no flop
O mesmo acontece com outras mãos mais especulativas, como as suited connectors (cartas conectadas de um mesmo naipe). Temos que ser conscientes a todo momento de que o importante é que, quando nossa mão sai favorecida do flop, há grandes possibilidades de se conseguir um grande pote.
Nesse sentido, no caso de termos mãos iniciais muito fortes (A-A, K-K ou Q-Q), devemos subir sempre com força, para evitar que os demais jogadores tentem entrar na disputa, buscando esses bons flops para suas mãos especulativas, como pares pequenos ou suited connectors.
b) Número de jogadores envolvidos na mão:
Quanto menos jogadores estiverem na mão, mais possibilidades teremos de levar o pote. Por isso, é importante subir as apostas no caso de termos mãos realmente fortes. O que não queremos é que entrem muitos jogadores, nem que o pote seja grande. Afinal, à medida que aumenta o número de jogadores e o pote, o próprio pote estará oferecendo chances suficientes (pot odds) para que continuem entrando jogadores na disputa.
E já sabemos que, quanto mais jogadores entrem na mão, mais provável é que algum deles consiga um flop muito favorável, deixando-nos sem nossa vantagem inicial.
c) Ação anterior:
Se algum jogador tiver apostado ou subido a aposta, e nós tivermos uma boa mão, devemos ter consciência de que faz toda diferença já termos posto dinheiro no pote ou não. É por isso que nunca devemos fazer CALL no preflop com mãos do tipo A-J ou K-Q, porque, se alguém resubir a aposta depois, estaremos comprometidos - e é certo que nossos rivais terão mãos superiores.
Assim, por exemplo, se fazemos CALL com A-J e outro jogador faz reraise, devemos evitar a tentação de seguir na mão por já termos investido dinheiro no pote. Um flop com um Ás não nos garante o êxito, nem um flop J-5-7, já que é muito provável que, ante um reraise, estejamos enfrentando um par de mão superior ao nosso valete (Q-Q, K-K ou A-A).
d) Nossas fichas (stack):
O tamanho do nosso stack é também um elemento a se levar em conta. Se, por exemplo, tivermos um grande stack, e nos vem um par – como 8-8 – podemos participar da mão sem problemas, mesmo sabendo que algum jogador com menos fichas vai subir a aposta ou ir de all-in.
Nós sabemos que podemos enfrentar esse “all-in”, já que cobrimos os rivais, podendo inclusive subir bastante a aposta – para deixar claras nossas intenções. Por outro lado, essa mesma mão (8-8) - nas primeiras posições e no caso de termos poucas fichas - talvez não seja recomendável jogar. Isso porque sabemos que dois ou três rivais pagarão a aposta, e, infelizmente, um par como 8-8 dificilmente leva o pote contra três ou mais jogadores.
e) Nossa posição:
Como estamos lembrando constantemente, a posição é a variável fundamental em quase todas as modalidades de poker. Devemos levar sempre em consideração a nossa posição na mesa de jogo. Quanto mais próximos estivermos de quem age por último, mais acesso teremos à melhor informação possível sobre a rodada e seus participantes antes de chegar o nosso momento de agir. Dessa forma, jogaremos de maneira mais eficiente, ganhando o mais possível e minimizando as perdas.
Se estivermos, por outro lado, nas primeiras posições, a informação inicial em nosso poder será somente sobre as nossas próprias cartas. Não teremos idéia do que têm - ou do que pensam – as pessoas que jogarão depois, com o que devemos reduzir a um mínimo nossos movimentos.
Quanto mais distantes estivermos dos blinds, mais vantagem poderemos ter, e mais mãos devemos jogar.
Conselhos úteis para o Pre-Flop
- É melhor não cair na tentação de fazer raise com cartas especulativas (suited connectors). O único caso em que seria proveitoso realizar essa ação seria o de querermos dar uma idéia errada aos oponentes, para que não pensem que subimos somente com mãos fortes.
- É melhor fazer raise e reraise com pares maiores que 10-10.
- Nunca devemos passar – isso quer dizer não fazer “slowplay” – tendo ases na mão.
- Em qualquer das posições, convém jogar somente as mãos realmente fortes; com todas as outras, devemos estudar detalhadamente as outras variáveis, como a posição, o número de jogadores, nosso stack etc.
Os pares e os duplos pares ganham 67% das mãos na variante Texas Hold’em Poker. É por isso que contar com uma grande mão inicial (A-A, K-K, Q-Q) não nos garante a vitória; devemos, nesses casos, tentar eliminar a maioria de rivais possíveis.
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